18 de set. de 2010

A mentira


 





A mentira é tão frequentemente utilizada que o seu sentido ultimamente parece tender a ser banalizado. Segundo as estatísticas (citadas por Roque Theophilo), mentimos cerca de 200 vezes por dia e em média uma vez por cada 5 minutos.
Começando pelos falsos elogios - p.ex, essa saia fica-te mesmo bem -, passando pelas desculpas "esfarrapadas" - p.ex., não pude fazer os trabalhos de casa porque faltou a luz - ou pelas mentiras descaradas, chegam mesmo existir casos em que os pais, que parecem tão preocupados quando os filhos mentem, os incitam a mentir - p.ex. quando lhes pedem para dizer que eles não estão em casa.
A mentira pode surgir por várias razões: receio das consequências (quando tememos que a verdade traga consequência negativas), insegurança ou baixa de auto-estima (quando pretendemos fazer passar uma imagem de nós próprios melhor do que a que verdadeiramente acreditamos), por razões externas (quando o exterior nos pressiona ou por motivos de autoridade superior ou por co-acção), por ganhos e regalias (de acordo com a tragédia dos comuns, se mentir trás ganhos vale a pena mentir já que ficamos em vantagem em relação aos que dizem a verdade) ou por razões patológicas.
Na infância mentimos para nos isentarmos das culpas. Muitas vezes os adolescentes descobrem que a mentira pode ser aceite em certas ocasiões e até ilibá-los de responsabilidade e ajudar a sua aceitação pelos colegas.

A mentira pode ainda surgir como uma dependência, quando dita de uma forma compulsiva. Os dependentes da mentira sabem que estão a mentir mas não se conseguem controlar, num processo que surge de uma forma muito semelhante ao do vício do jogo ou à dependência de álcool ou de drogas.

10 de set. de 2010

Eu não sou a mais apaixonada por Virginia Woolf

                                                                             


Eu não sou a mais apaixonada por Virginia Woolf, mas concordo com ela em alguns aspectos da vida da mulher... Dizia ela:


“(...) Shakespeare teve uma irmã; mas não procurem por ela na vida do poeta escrita por

Sir Sidney Lee. Ela morreu jovem - ai de nós! Não escreveu uma só palavra. Ela

está enterrada onde os ônibus param agora, em frente ao Elephant and Castle.

Pois bem, minha crença é que essa poetisa que nunca escreveu uma palavra e que

foi enterrada numa encruzilhada ainda vive. Ela vive em vocês e em mim, e em

muitas outras mulheres que não estão aqui esta noite, porque estão lavando a

louça e pondo os filhos para dormir. Mas ela vive; pois os grandes poetas nunca

morrem, são presenças contínuas, precisam apenas da oportunidade de andarem

entre nós em carne e osso. Pois minha crença é que, se vivermos

aproximadamente mais um século - e estou falando na vida comum que é a vida

real, e não nas vidinhas à parte que vivemos individualmente - e tivermos, cada

uma, muitas libras por ano e o próprio quarto; se tivermos o hábito da

liberdade e a coragem de escrever exatamente o que pensamos; se fugirmos um

pouco da sala de estar comum e virmos os seres humanos nem sempre em sua relação

uns com os outros, mas em relação à realidade, e também o céu e as árvores ou o

que quer que seja, como são; se olharmos mais além do espectro de Milton, pois

nenhum ser humano deve tapar o horizonte, se encararmos o fato de que não há

nenhum braço em que nos apoiarmos, mas que seguimos sozinhas e que nossa relação

é para com o mundo da realidade e não apenas para com o mundo dos homens e das

mulheres, então chegará a oportunidade, e o poeta morto que foi a irmã de

Shakespeare assumirá o corpo que com tanta freqüência deitou por terra.

Extraindo sua vida das vidas das desconhecidas que foram suas precursoras, como

antes fez seu irmão, ela nascerá. Quanto a ela chegar sem essa preparação, sem

esse esforço de nossa parte, sem essa determinação de que, quando nascer

novamente, ela achará possível viver e escrever sua poesia, isso não podemos

esperar, pois isso seria impossível. Mas afirmo que ela viria se trabalhássemos

por ela, e que trabalhar assim, mesmo na pobreza e na obscuridade, vale a

pena.”



E aí, eu acrescento que vale a pena, ao menos, para saborear o gosto doce que tem a liberdade. A liberdade de ousar, de não ter arrependimentos, de não ter medo de ter medo, de não ter culpa de ter culpa, e principalmente, de viver sem levar para o lado pessoal o que está nos sendo dito. Porque se o fizermos, acreditaremos e concordaremos com o que está sendo dito. E então, parafraseando Sartre, o inferno se tornará os outros...! E por que os outros e o que dirão os outros, se nada afeta o que sou? Afinal, os outros opinam de acordo com seus sistemas de crenças...

Analisando a Morte...( Pedro Bial)

                                                   


Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os
colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos,

parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada,estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena,

mas nada acontecia ali de risível, era só dor e a perplexidade, que é mesmo o que causa em todos os que ficam.

A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro:

a morte por si só, é uma piada pronta.

A morte é ridículo.

Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário.

Tem planos para semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório...

Colocar gasolina no carro e no meio da tarde...

MORRE.

Como assim?

E os e-mails que você ainda não abriu?

O livro que ficou pela metade?

O telefonema que você prometeu dar a tardinha para um cliente?

Não sei de onde tiraram esta idéia:

MORRER...

A troco de que?

Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviram para nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente.

Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego. Mas não desistiu.

Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de duvidas quanto à profissão escolhida...

Mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente...

De uma hora pra outro, tudo isso termina...

Numa colisão na freeway...

Numa artéria entupida...

Num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis...

Qual é?

Morrer é um chiste.

Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida.

Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas...

Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas...

A apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.

Logo você que dizia: das minhas coisas cuido eu.

Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer.

Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manha.

Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito...

Isso é para ser levado a sério?

Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem vindo...

Já não há muito mesmo a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas.

ok, hora de descansar em paz.

Mas antes de viver tudo?

Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas.

Morrer é um exagero.

E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas.

Só que esta não tem graça.

Por isso viva tudo que há para viver.

Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da vida...Perdoe,

Perdoe...

Sempre!!

8 de set. de 2010

Alô Meu Deus



                                                                                  



Alô, Meu Deus
Padre Zezinho
Composição: Pe. Zezinho
Alô meu Deus,
fazia tanto tempo
que eu não mais te procurava.
Alô meu Deus,
senti saudades tuas
e acabei voltando aqui.
Andei por mil caminhos
e, como as andorinhas,
eu vim fazer meu ninho
em tua casa e repousar.
Embora eu me afastasse
e andasse desligado,
meu coração cansado,
resolveu voltar.




nas terras onde andei.
Eu não me acostumei,
nas terras onde andei..
Alô meu Deus,




fazia tanto tempo
que eu não mais te procurava.
Alô meu Deus,
senti saudades tuas
e acabei voltando aqui.
Gastei a minha herança,
comprando só matéria,
restou-me a esperança
de outra vez te encontrar.
Voltei arrependido,
e volto convencido,
meu coração ferido
que este é o meu lugar.



Eu não me acostumei,



Dez Coisas que Levei Anos Para Aprender...

                                                                                    



Dez Coisas que Levei Anos Para Aprender

1. Uma pessoa que é boa com você, mas grosseira com o garçom, não pode ser uma boa pessoa.

2. As pessoas que querem compartilhar as visões religiosas delas com você, quase nunca querem que você compartilhe as suas com elas.

3. Ninguém liga se você não sabe dançar. Levante e dance.

4. A força mais destrutiva do universo é a fofoca.

5. Não confunda nunca sua carreira com sua vida.

6. Jamais, sob quaisquer circunstâncias, tome um remédio para dormir e um laxante na mesma noite.

7. Se você tivesse que identificar, em uma palavra, a razão pela qual a raça humana ainda não atingiu (e nunca atingirá) todo o seu potencial, essa palavra seria "reuniões".

8. Há uma linha muito tênue entre "hobby" e "doença mental".

9. Seus amigos de verdade amam você de qualquer jeito.

10. Nunca tenha medo de tentar algo novo. Lembre-se de que um amador solitário construiu a Arca. Um grande grupo de profissionais construiu o Titanic.

Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão... que o AMOR existe, que vale a pena se doar às amizades a às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim... e que valeu a pena!

Luís Fernando Veríssimo

7 de set. de 2010



A PEDRA

O distraído nela tropeçou...

O bruto a usou como projétil.

O empreendedor, usando-a, construiu.

O camponês, cansado da lida, dela fez assento.
Para meninos, foi brinquedo.

Drummond a poetizou.

Já, David matou Golias, e Michelangelo extraiu-lhe a mais bela

escultura...

E em todos esses casos, a diferença não esteve na pedra, mas no homem!

Não existe "pedra" no seu caminho que você não possa aproveitá-la para o

seu próprio crescimento.